Caridade paliativa é mais admirada que luta real por melhorias

Sentimentalismo não exige esforço, do contrário da racionalidade. Ser piegas e se comover é muito fácil e satisfaz os instintivos desejos de emotividade, o que faz com que atitudes sentimentais sejam mais admiradas que iniciativas racionais. Além de exigir esforço, a racionalidade não é admirada por parecer seca, "mecânica" e "sem sal". 

Por isso que as pessoas costumam admirar mais a caridade paliativa que tenta de forma romântica, oferecer uma forma paliativa de filantropia, que não acaba com os problemas, mas serve como compensação para os problemas que nunca terminam, seja por negligência, preguiça, incompetência ou até para preservar interesses.

Na verdade, as pessoas não ligam muito se os problemas acabam ou não. Os problemas estão aí há tantas décadas que nem fazem questão de acabar com eles. O que as pessoas querem são estórias comoventes de consolo que sirvam para provocar lágrimas.

Por isso mesmo que o ativismo social não é muito admirado, mas a caridade religiosa ou a praticada por instituições de caridade é bastante exaltada. A caridade religiosa mexe com a emotividade, com os instintos humanos. Ninguém resiste a uma linda estória de superação de dificuldades.

O ativismo social é menos piegas. Ver pessoas protestando em volta de sedes de governos e de empresas não desperta comoção (às vezes até parece meio agressivo), embora se bem sucedidas, sejam mais eficientes que a caridade emotiva das religiões e de instituições de caridade.

Intelectuais que propõem soluções eficientes que eliminem os problemas de cotidiano, não costumam ser admirados. Somos educados a associar a bondade com a pieguice, além de desprezar tudo que pareça intelectual. Os intelectuais não correspondem ao estereótipo tradicional das pessoas bondosas e isso não atraia a atenção de pessoas que esperam estórias lindas por trás de ações de caridade.

Lideranças religiosas já embutem em suas imagens a bondade estereotipada. Como se apenas o fato de ser religioso já incluísse a vontade de ajudar outras pessoas. Há também pessoas que, junto com um trabalho bem planejado de publicidade, a colocar um tempero de pieguismo na narração de sua iniciativa caridosa, despertam a comoção coletiva que consagra a tal iniciativa, mesmo quando ela não é de fato eficaz. Até porque o que importa são estórias lindas e não a eliminação dos problemas.

E assim a sociedade segue com seus problemas. Mas não importa. sempre haverá um falso samaritano a lançar mão de belas estórias para tranquilizar a sociedade, que irá aguentar os problemas intermináveis crentes de que existe algum "herói'" de plantão para lhes socorrer quando preciso. 

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