Brasileiros transferem para a política conceitos religiosos

A religião é nociva para a sociedade porque desestimula a pensar. A fé substitui a racionalidade e a realidade é percebida de forma distorcida com base na opinião difundida por lideranças consideradas confiáveis. E acostumados a ter fé, é nítido o fato de que os brasileiro estão tratando outros assuntos de forma religiosa, acreditando automaticamente naquilo que instituições e pessoas consideradas confiáveis lhes dizem.

Veja o cenário político atual e compare com o Cristianismo seguido pela maioria:
- Os petistas são os "seres do mal" e Lula é "Satã", o "diabo".
- O Capitalismo e o Fascismo representam as religiões cristãs.
- O juiz Sérgio Moro é "Jesus" e a mídia (sobretudo a Rede Globo) é "Deus".
- Bolsonaro é o "anjo guardião".
- A corrupção é o pecado original.
- Os esquerdistas são os "seguidores de satã".
- Boatos lançados pela mídia são "dogmas religiosos" e como tais, são vistos como "verdades absolutas e inquestionáveis".

Ninguém, a não ser os esquerdistas, está preocupado em analisar o cenário político de forma racional e lógica. Aceitam de forma automática tudo que ouvem a respeito, da mesma forma que o mais fanático beato acredita no que suas lideranças religiosas (sejam padres católicos, pastores evangélicos ou médiuns "espíritas") lhes dizem, sem qualquer tipo de verificação.

Esse ódio anti-esquerda na verdade é um resultado do já tradicional desestímulo a racionalidade, somada a péssima qualidade da educação e a submissão da população à mídia televisiva. Intelectuais da Educação já sabiam que uma educação malfeita iria trazer graves estragos sociais, mas ninguém levou isso a sério. Ninguém sabia que tipo de estrago apareceria. 

Mas hoje em tempos de emburrecimento epidêmico e ódio a tudo que vai contra a s convicções pessoais adquiridas pela irracionalidade, os graves estragos começam a aparecer, com a sociedade brasileira dividida entre defensores dos ricos e defensores dos pobres, ambos falando "em nome da sociedade como um todo", mas claramente ignorando os verdadeiros problemas reais do país, gerados basicamente pela má distribuição de renda, a oculta raiz da corrupção. 

Considerar a corrupção como o principal problema do país é fácil. Mas cortar mal pelo caule, que aparece, é mais fácil do que cortar pela raiz que ninguém vê. Distribuir renda aflige os confortáveis que usam a mídia para fazer com que os aflitos defendam os confortos das classes dominantes. Graças a irracionalidade, um verdadeiro exército de zumbis está a solta na sociedade brasileira para defender o conforto dos ricos, curiosamente algo que este exército nunca terá.

Para quem não pensa é muito fácil escolher um bode expiatório e acreditar que todos os problemas serão extintos com a punição desses "bodes". Cerca de 90% da população brasileira, incluindo muitos graduados e pós graduados (que estudam não para serem inteligentes mas para ganhar mais dinheiro no mercado de trabalho) não é capaz de entender a complexidade da vida política e de seus bastidores, ignorando que a quantidade de vilões é 1.000.000 vezes maior do que se acredita.

Exemplo: aquele empresário elegante, de fala tranquila e bem pronunciada, de boa aparência pode ser o verdadeiro articulador dessa onda de corrupção. Mas como não se parece com vilão de novela ou de filme, ninguém consegue desconfiar dele. Este pode ficar tranquilo, pois a sociedade, acostumada a estereótipos sempre estará do lado dele. A não ser que este empresário faça um imenso escândalo difícil de ser disfarçado.

E assim a nossa sociedade brasileira, em pé de guerra, muito mais preocupada em defender as suas convicções pessoais, falando em nome da coletividade só para atrair multidões para a sua causa pessoal, usa a sua fé cega em instituições que lhe parecem confiáveis para expulsar do poder um inimigo escolhido só porque não lhe agrada. 

Para esta multidão de inconformados, líder é aquele de fala mansa, pose elegante, rico, graduado e de boa aparência que pode até mesmo roubar e participar de esquemas complexos de corrupção. Mas que seja um corrupto elegante e apresentável que possa fazer parte dos sonhos tolos de uma população cada vez mais religiosa, menos racional e totalmente avessa a qualquer tipo de análise. Dizendo "amém" para a primeira liderança que corresponda aos estereótipos consagrados.

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