Assim como não existem divindades, não existem heróis

O povo brasileiro, desde que surgiu, sempre esteva a procura de um herói. "Colonizado" por mendigos, bandidos, prostitutas e mercenários, sua história é cheia de picaretas cheios de defeitos que lutaram pelos seus interesses pessoais ao invés de contribuir para construir uma nação. Carente de verdadeiros heróis, brasileiros estão há mais de 500 anos procurando os seus em vão, sempre se decepcionando no final.

Claro que antes de se decepcionar, os brasileiros se apegam em algum picareta, se agarrando a ele como se ele tivesse em mãos o segredo da felicidade. Ao se agarrarem a ele, chegam a defendê-lo com unhas e dentes, agindo com agressividade contra os que se dispõem a tirar o véu do falso heroísmo do tal picareta, abalando a ilusão crédula de quem confia neste.

Por ser um país construído por pessoas sem caráter, sem inteligência e sem objetivos nobres, é tradicional que nossos maiores homens façam parte de um bando de exploradores oportunistas a passar por cima de outras pessoas para que seus interesses pessoais prevaleçam. Desconheço na história alguém que de fato tenha contribuído NA PRÁTICA pelo desenvolvimento rápido do país. 

Houve sim quem defendesse na teoria. mas logo os picaretas poderosos se apressavam em calar a boca de quem realmente queria uma sociedade justa e próspera. Os poderosos possuem condições e inúmeros meios de impedir que mentes avançadas avancem em prol do progresso nacional. O Brasil é um país onde êxitos duram pouco e fracassos permanecem eternos. 

Na verdade esse negócio de heroísmo não existe. Heróis são tão reais quanto divindades. Deveria mesmo era existir homens compromissados com a coletividade. Mas o egoísmo de grupo é ainda forte no Brasil. Os homens pseudo-virtuosos que aparecem querem na verdade satisfazer os interesses deles e dos grupos das quais pertencem, sejam de que lado estiverem.

O poder político e principalmente o poder econômico (sem essa de tirar o grande empresariado da culpa pelo poder sujo) e até mesmo o poder religioso está nas mãos de homens avarentos, egoístas e arrivistas. O povo brasileiro é refém de um bando de exploradores que não medem escrúpulos e dispensam a ética e o altruísmo para satisfazer os seus interesses particulares, destruindo a dignidade da maioria da população.

Desesperados, os brasileiros ainda mantém a esperança no aparecimento de um herói e equivocadamente escolhem um que possa representar este anseio, mesmo que apenas corresponda a um estereótipo. Afinal, brasileiros são educados a definir tudo através de estereótipos.

Mas aí esse "herói" se revela como um "soldado" a lutar por apenas um lado. Somente uma parcela da população será, em tese, beneficiada por ele. Em tese porque numa sociedade onde todos não são beneficiados, os poucos bem sucedidos sempre ficam na ameaça de perder seus privilégios para aqueles que não o conseguiram.

Brasileiros, ainda presos na infância coletiva, ainda aguardam um herói, sem perceber que isso é uma ilusão. Se carecemos de cidadãos realmente dispostos a melhorar a sociedade na prática, porque achar possível a existência de algum superpoderoso a lutar pela nação inteira?

Estamos cada vez mais infantis. E enquanto não amadurecermos, vamos elegendo nossos Supermen, Batman, Mulheres Maravilhas, para depois estes eliminarem nossos mais básicos direitos e os entregarem para os vilões para quem eles trabalham. Nunca esse negócio de heroísmo esteve tão ficcional quanto qualquer gibi vendido nas bancas

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