"Sem dor, sem ganho": Esportes e Capitalismo compartilham a Teologia do Sofrimento

Sofrimento não é para aceitar, é para combater, diz a lógica e o bom senso. Mas muita gente não compartilha dessa ideia achando que bom mesmo é gritar de dor, sendo este um preço para a felicidade. E o Capitalismo, tendo como aliados, o esporte e as religiões, tem lucrado muito com o sofrimento alheio, difundindo a Teologia do Sofrimento como receita de vitória e de felicidade.

Isso tem legitimado algumas atitudes de crueldade real que acabam não sendo estigmatizadas como maldade, pois são vistas como "estímulo à luta pelo bem estar", transformando lideranças autoritárias em "tutores bem intencionados".

Este pensamento do "sem dor, sem ganho" ("No pain, no gain" no original) tem feito com que multidões aceitassem suas condições humilhantes acreditando sempre em uma prosperidade futura que nunca chega. E esta passividade resultante da aceitação do sofrimento tem garantindo a permanência da tirania desse falsos tutores que ganham muito com  o sofrimento alheio, aumentando o prestígio que os faz tornar "confiáveis".

Isso acaba gerando uma espécie de "síndrome de Estocolmo" que faz com que os sofredores tratem seus carrascos como pessoas adoráveis, fazendo com que vítimas cheguem a defender seus opressores, acreditando que a opressão é um benefício que evolui.

O Capitalismo é um sistema que exalta a tese do "sem dor, sem ganho", que na religião é conhecida como Teologia do Sofrimento, defendida por falsos filantropos como Madre Teresa de Calcutá e Chico Xavier, erroneamente estigmatizados como "maiores filantropos do mundo". 

O esporte, forte aliado do Capitalismo, também é um grande entusiasta desta filosofia, fazendo com que muitos treinadores sejam sádicos com seus pupilos, um triste episódio que ocorre com bastante repetição distante dos míopes olhos midiáticos que só enxergam coisas boas no culto ao esporte e às atividades esportivas. Lembrado que esporte envolve competitividade, o combustível que alimenta os sentimentos de egoísmo e por isso ele é um aliado forte das doutrinas capitalistas.

E as religiões, mesmo estereotipadas como "praticantes oficiais da caridade humana", na verdade a usam como escudos para protegê-las de quaisquer críticas. Religiões se baseiam em absurdos e geram muita renda para suas lideranças. Manter a reputação de caridosas atrai muita gente e muito dinheiro, multiplicado através do superfaturamento, pois lideranças religiosas não se alimentam de ar, precisando de dinheiro para pagar suas muitas contas (e supérfluos).

Na verdade o egoísmo ainda está em alta e desejar que os outros sofram nos livra da obrigação de ajudar. Ajudar acabaria com a ganância de querermos ser os melhores do que os outros, algo presente em nossos mais baixos instintos, e legitimar a sádica ideia do "no pain, no gain" é uma boa forma de nos dispensar do altruísmo e de justificar "positivamente" o abandono que damos as pessoas mais desfavorecidas da sociedade.

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