Neymar faz proselitismo religioso ao comemorar conquista da medalha

Brasileiro, que só gosta de futebol e mais nada, acordou domingo com um sorriso largo. Esnobando as conquistas em outras modalidades, finalmente o Brasil obteve a conquista que sempre queria: o inédito ouro no futebol masculino.

Claro que foi uma conquista honesta, do contrário que acontece em copas, já que em Olimpíadas, os jogadores brasileiros não tem a obrigação de vencer. Mas foi uma conquista vinda numa hora errada, às vésperas da instalação de mais uma ditadura a cortar os direitos de muitos. Vencemos no futebol para podermos perder na vida. Os brasileiros que comemoraram não conhecem a tragédia que lhes espera.

Feliz com a conquista no único interesse dos brasileiros, que são um povo que coloca o futebol acima até mesmo da qualidade de vida, Neymar aproveitou para fazer sua propaganda religiosa, já que, apesar de farrista, mulherengo e arrogante, ele é religioso, seguindo uma seita evangélica, cuja linha equipe deste blog desconhece.

Neymar apareceu com a famosa faixa "100% Jesus" ignorando que as Olimpíadas são um evento de várias modalidades, várias nacionalidades e consequentemente várias crenças e vários modos de pensar. Um evento que preza pela diversidade parece ser o pior lugar para uma manifestação deste tipo, que pretende impor uma crença absurda a toda a humanidade.

Tudo bem que ele quer manifestar a sua fé. Mas não tinha outro momento para isso? Já não bastasse o fanatismo futebolístico que confunde diversão e civismo, tinha que fazer proselitismo religioso? Muita gente poderia pensar que quem estava jogando não era Neymar e sim Jesus e seus apóstolos!

O problema dos religiosos não é ter a sua fé. O problema deles é insistir em manifestá-la fora de seus templos. O sonho de muitos religiosos, salvo exceções, é ver toda a humanidade seguindo a mesma fé, levado ao seu cotidiano os dogmas mais absurdos e os preconceitos nascidos destes. Por isso fazem questão de fazer propaganda de suas seitas. 

Obviamente, Neymar gostaria muito que todos os brasileiros seguissem a sua fé. Mas não precisa. Neymar, um direitista assumido capaz de amolecer os corações e derreter os cérebros dos esquerdistas mais convictos, já é um "deus". A religião do futebol, felizmente (para Neymar) é seguida por muitos e neste final de semana a maioria dos brasileiros já se ajoelhou perante a sua divindade maior: um garoto analfabeto de Santos que vive de alimentar a maior das ilusões de milhões de pessoas. 

Certamente, para muitos brasileiros, depois de Jesus, vem logo o Neymar. Mesmo para quem não acredita em religião alguma. 

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