Para muitos, "bondade" mudou de sentido. E nada tem a ver com altruísmo

Perdemos a noção do que é bondade. Prova disso é o que os conservadores pensam a respeito. Um político responsável por diminuir as desigualdades sociais e que pretendia se dedicar a projetos que melhorariam as condições de vida dos mais carentes, é considerado mau, perverso. 

Outro político, de ideias retrógradas, odioso e que pretende matar todos aqueles que discordam de seu ponto de vista, por sua vez e considerado "homem de bem" e chega a ponto de ter sido batizado em uma cerimônia religiosa, comandada por lideranças que fingem o mais puro altruísmo, mesmo que nada comprove a benfeitoria supostamente feita por elas.

Afinal, para os conservadores, o que é ser bondoso? Certamente nada te a ver com altruísmo, pois eles trocam as bolas classificando um altruísta de malvado e um sádico de "homem de bem". O que é realmente ser bondoso? 

Para muitos conservadores, ser bondoso nada tem a ver com altruísmo. Tem a ver com fé e obediência. Tem a ver com seguir estereótipos tradicionais e defender valores que preservem o domínio do mais forte sobre o fraco. Tem a ver com acreditar nas religiões e nos valores relacionados a ela, muitos com base em lendas que não fazem o menor sentido lógico.

Sabe-se que a caridade defendida pelos conservadores é a mesma já praticada por ONGs ligadas a religiões. É uma caridade paliativa, consoladora, que serve mais para compensar problemas do que eliminá-los. Fora o fato de que não raramente servem para proselitismo religioso, colocando na cabeça de incautos e incultos os irracionais absurdos defendidos pela fé cristã.

Para muitos que pensam desta forma, uma sociedade "justa" não precisa ser igualitária, pois o bem estar não deve levar em conta as necessidades humanas e sim a posição hierárquica que uma pessoa tem na sociedade. Se ricos vivem bem é porque eles tem que viver bem. A posição social deve ser levada em conta, independente de alguém necessitar ou não de certos supérfluos.

Não é surpresa ver conservadores defendendo a má distribuição de renda, pelo motivo explicado. A distribuição de bens, para os conservadores é justa porque leva em conta a posição social do sujeito com base na suposição de que ricos e privilegiados "sofreram" para chegar aonde estão. Suposição com base na fé e não no raciocínio.

O respeito à hierarquia (fortes que mandam e tem privilégios e fracos que obedecem e vivem em sub-condições), a fé religiosa, a instituição família (como marido, mulher e filhos), a caridade (paliativa) e às instituições em geral, compõem o que os conservadores consideram como "bondade".

Pode parecer estranho, mas para quem usa mais a fé do que a razão, entrar em contradição, aceitar absurdos e inverter conceitos, é pratica muito comum. O Brasil é um país difícil de ser entendido. Realmente entender o Brasil nã é para principiantes.

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