Os perigos da instalação de uma Teocracia

Entre as forças que se instalaram para conduzir o país através de uma ditadura de direita, se encontram muitos religiosos, de maioria evangélica. Aliás, quase todos. Embora tenham ateus que apoiem governos golpistas, muitos dos pontos defendidos pelos golpistas tem completa afinidade com vários dogmas cristãos. É ingênuo achar impossível a instalação de uma Teocracia por parte dos golpistas cristãos.

Progressistas, como a equipe que administra o blog que você está lendo, defendem a diversidade, a laicidade e o rompimento com estereótipos. Sendo ateus, nós também concordamos que religiões são mitologias, enriquecem culturas, mas nunca devem interferir na realidade cotidiana, por se basearem em teses sem comprovação e serem algo bastante subjetivo.

Cada religião tem os seus dogmas. Mesmo entre os cristãos há uma variedade grande de dogmas que se contradizem. Se os cristãos em si já não se entendem, imagine se misturar com outras crenças e não-crenças (como o ateísmo)? Algo subjetivo nunca deve servir de base para legislação nenhuma.

Religiões são baseadas em lendas. Muitas das estórias bíblicas desafiam a lógica e o bom senso. A própria existência de Deus é um desafio à lógica, pois um universo infinito e complexo não tem condições de estar sob o comando de uma entidade com características humanas. Não dá para algo nunca comprovado como real estar acima das leis em nossa realidade cotidiana.

A Teocracia, que é a política com base nas supostas orientações de Deus, tem se mostrado catastrófica todas as vezes que foram implantadas. Religião e política nunca combinam e quando se misturam resultam em tiranos que atendem a crenças pessoais, supostamente sob "ordens divinas".

Os teocráticos defendem a ideia de que existe uma Liderança Superior no universo e que por isso Ela deve interferir na política terrena, pois esta deve estar sempre abaixo da, digamos, "politica universal". 

Como a fé é algo subjetivo, as decisões teocráticas são tomadas de modo subjetivo, embora na mente do teocrata as decisões tenham suposta inspiração divina. Por ser subjetivo, o resultado acaba sendo sempre uma tirania, pois muitos dos dogmas religiosos entram em atrito com muitos conceitos de democracia e direitos humanos.

A conduta de cidadãos, para ser aprovada pelos teocratas, deve seguir exatamente como recomendam as obras religiosas adotadas pela Teocracia (no caso cristão, a Bíblia), sem qualquer tipo de análise. Os que simplesmente não corresponderem aos dogmas defendidos, são perseguidos e condenados de forma cruel e desumana, indo contra ao falso estereótipo de que os religiosos são sempre bondosos e compreensivos.

Seria muito bom que a fé religiosa se limitasse a seus templos e nas casas dos fiéis que as defendem. A religiosidade em si não é nociva e sim a imposição desta para a realidade cotidiana. Lendas são lendas e devem ficar circunscritas aos que acreditam nelas. 

A política deve ser exclusivamente laica e nunca deve interferir na crença ou não-crença de quem quer que seja. Impor a fé pessoal a subordinados é tirania, ofende a dignidade humana e vai contra o direito de liberdade de crenças garantido por lei. 

Sempre que uma teologia foi posta em prática, gerou graves danos sociais. Se um político acredita em Deus e em dogmas, que os guarde para si. Que ele se lembre que governa não apenas para os seus colegas de igreja, mas para toda a sociedade, com muita gente que não compartilha das mesmas crenças, várias delas nocivas a dignidade humana.

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