Criança Esperança e a caridade que a direita quer que seja feita

A direita nunca foi de fato caridosa. Anti-ativista, seletiva, defensora de valores que só beneficiam certos grupos, gananciosa, egoísta e não raramente sádica contra aqueles que não compartilham de suas convicções pessoais. Não dá para esperar de quem pensa assim atitudes que melhore a qualidade de vida de todos e que possa garantir dignidade e bem estar para o Brasil.

Mas a direita quer ser vista como bondosa, sem querer de fato o bem a ninguém. Para os direitistas, ser bom não significa beneficiar pessoas e sim proteger valores e interesses. É garantir que os privilegiados mantenham seus privilégios intactos e protegidos. É defender valores e crenças que satisfazem aos interesses desses privilegiados.

Mas esse conceito de bondade é bem equivocado e tem mostrado de forma comprovada a sua incompetência (ou seria desinteresse) e resolver os problemas mundiais e do cotidiano. A sociedade em que vivemos não somente não se livrou de muito problemas como está recuperando os problemas que em tempos passados conseguimos eliminar. Em pleno século XXI cegamos definitivamente ao que se pode denominar de "Caos Organizado".

E para que este caos organizado permaneça (pois beneficia os privilegiados), é preciso que o verdadeiro altruísmo nunca seja posto em prática. No lugar dele, uma caridade paliativa que serve mais para compensar problemas do que para resolvê-los. Uma caridade que não conforte os aflitos nem aflija os confortáveis.

Essa forma de caridade, consagrada pela religião, volta a tona no Brasil nas proximidades de agosto por causa do projeto Criança Esperança, criado e administrado pelas Organizações Globo, inspirado na famosa campanha Teleton. Apesar de sustentar projetos de ONGs e afins, sempre esbarra naquele limite de dar pouco aos mais carentes e tomar o absoluto cuidado para que os interesses dos mais ricos não sejam atingidos. São projetos que visam transformar os pobres em carneirinhos alegres e curiosamente nunca envolve qualquer projeto que estimule pobres a serem líderes.

O projeto existe desde 1985 e da forma como é alardeado deveria ter mudado o país radicalmente, pois envolve muito dinheiro e o prestígio da Globo e de sua parceira a Unesco. Estranhamente não há notícia de dinheiro vindo de celebridades e dos donos da Globo, o que leva a crer que são os pobres telespectadores que sustentam o projeto.

O país continua injusto, com grande numero de pobres e indigentes e as coisas prometem piorar com o governo Temer, de linha claramente neoliberal e apoiado pelos donos da Globo e muitas celebridades. Para quem não sabe, o pensamento liberal reserva os direitos plenos apenas aos ricos e defende que as outras classes sócio-econômicas só existem para servi-los. Não dá para esperar uma caridade eficiente feita por quem pensa desta maneira.

Portanto, meu amigo, se quer fazer bem a sociedade, acredite se quiser, NÃO doe para o Criança Esperança. Se conhece uma ONG séria e responsável, doe diretamente a ela. O Criança Esperança é uma farsa, se não fosse, teria mudado o país de forma significativa. Se a Globo não está interessada em governos com mentalidade de inclusão social, fazendo de tudo para derrubar na marra um governo progressista, como é que ela seria entusiasta defensora da inclusão social e da melhoria da qualidade de vida? Muito estranho, não acham?

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