Porque religiosos são mais intolerantes do que ateus

A lei garante o direito de crença. Todas as pessoas possuem o direito de acreditar no que quiserem, seja  Deus, Jeová, Alá, Brahma, Batman e até o Monstro do Espaguete. A lei garante até mesmo o direito a não-crença.  Desde que a fé de um não atrapalhe a fé e a não-fé de outro e suas rotinas cotidianas, está tudo bem.

Mas há o que se chama de intolerância religiosa, algo que é caracterizado basicamente no desrespeito ao direito de crença. Nunca se deve confundir como intolerância as críticas às incoerências religiosas, pois alertar sobre a insensatez de muitos dogmas não interfere no direito de crença, apenas impedindo a sua influência na realidade cotidiana. Ou seja, desde que cada crença fique na mente de cada um e limitada aos templos, publicações e na residência de cada fiel, a pessoa pode acreditar no que quiser.

Estigmatizados de forma errada como intolerantes, por mais incrível que possa parecer, os ateus são os que mais respeitam as religiões e os que mais participam de campanhas contra a intolerância religiosa. Isentos da participação de qualquer crença, ateus conseguem entender todas e por isso não possuem o desejo competitivo que faz cada religião querer se sobrepor uma a outra.

Religiosos são intolerantes por competitividade. Como cada uma se acha dona da verdade e quer interferir na realidade cotidiana (se esquecem todos que religiões não passam de serem meras mitologias, úteis para cultura, nocivas para a realidade), obviamente deseja que as outras crenças sumam do mapa e sonha que sua igreja se torne uma unanimidade. Mas todas, embora supostas detentoras da verdade, lançam mão de espalhar ideias sem pé nem cabeça e impô-las para toda a sociedade, criando uma concorrência entre si.

E isso dá a origem a intolerância. Como não dá para ter várias verdades simultâneas que se contradizem, e cada uma se acha a própria verdade absoluta, o jeito é derrubar o concorrente pois "a minha verdade e que interessa e não a sua". E a guerra santa se inicia.

Os ateus não têm esse problema. Um vídeo divulgado na internet há tempos (e nem sei se continua na rede) mostrou um debate com vários religiosos e um ateu. Os religiosos trocaram xingações e acusações. Quando chegou a vez do ateu falar, ele preferiu sair da sala, sem falar uma palavra.

Ateus respeitam as religiões porque não têm a obrigação de defender uma. Ateus não se prendem a dogmas e a "verdades". Levam a sua vida cotidiana tranquilamente, observando o andar dos fatos sem contar com ajuda de divindades e sem acreditar em alguma lenda.

Por isso que, embora pareça absurdo, os ateus são as melhores pessoas para defender o respeito às religiões. Ateus entendem o porquê de sua existência (e não é para interferir no cotidiano, como pensam todas as religiões); Sabem que é uma fase momentânea de uma sociedade ainda imatura que não possui condições de caminhar com as próprias pernas, esperando que um tutor invisível lhes diga o que se deve fazer e lhes socorra nas horas de maior desespero irracional.

Quando amadurecermos, a longuíssimo prazo, perceberemos que as religiões não passam de coletâneas de lendas e de seres bizarros e passaremos a confiar mais em nós mesmos, tocando a realidade como deve ser, sem esperar que dogmas e divindades estejam de plantão para nos "salvar".

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