Prova prática da farsa das crianças "indigo"

Um dos enxertos forasteiros mais celebrados no Movimento Espírita é a tese que defende a existência das crianças índigo. Essa ideia absurda, lançada por um casal de meros cidadãos americanos que supostamente receberam uma mensagem de um suposto espírito que se identificava como "íntimo de Deus", foi inserida irresponsavelmente na doutrina e difundida por muitos palestrantes de prestígio, sobretudo Divaldo Franco, cuja visibilidade e respeito imposto só agravam ainda mais a confusão diante dos "fiéis" do movimento.

Vamos delirar um pouquinho, para entender a baboseira. Segundo a tese, crianças dotadas de grandes qualidades, com missão de mudar o mundo, nasceriam em massa em duas "remessas", uma no início dos anos 70 (minha geração, conhecida como "índigo" por causa da aura (!?) azul) e outra dos anos 200 para hoje, conhecidas como "cristais" (sei lá porque).

Mas olhem ao redor, o mundo mudou? Só se for pra pior, pois muita coisa legal foi extinta ou substituída por mediocridades. Os valores todos foram para o ralo. O mercenarismo está cada vez mais gritante, fazendo muita gente abrir mão até da ética para lucrar facilmente. E sabe quem são os grandes responsáveis por esta decadência toda? A minha geração, a suposta "Geração Índigo".

Os anos 90 representaram uma década da decadência. Com o fim da ditadura militar, a queda do muro de Berlim e a evolução tecnológica, as grandes elites acharam por bem enfraquecer a população, para que ela não se conscientize e os privilégios seculares das classes mais ricas não possam ser ameaçados. Aí surgiu a necessidade de acabar com todos os valores que conhecíamos, substituindo pelo politicamente correto, pela alienação através da superestimação de futilidades, pela rajada de modismos e pela revalorização de valores arcaicos (estes que deveriam ser extintos), como a religiosidade e a supervalorização do esporte, ambos altos estimulantes de alienação. Além de claro, continuar consagrando o álcool como "elixir da felicidade", estimulando o consumo cada vez maior e por um número maior de pessoas.

Lendo este cenário, como é que posso classificar como "avanço"? Se a minha geração, que chegou à vida adulta na década de 90, fazendo esse grande estrago, veio para "evoluir a humanidade", como é que sentimos um retrocesso imenso e incessante a cada dia que passa? Nem mesmo a geração 2000 mostra sinais de que vai mudar o mundo, pois estão crescendo sendo educados com estes postiços valores falidos.

Sinceramente, a tese das crianças índigo mostra-se uma verdadeira farsa. Uma lenda a não ser levada a sério e uma crendice besta tão idiota quanto a Astrologia e a Grafologia, criações de gente que não tinha nada melhor a fazer e que resolveram brincar de "cientista" criando complexas análises sobre coisas que vão contra a qualquer lógica.

O mundo não está mudando e tão cedo não irá mudar. Recuperamos os velhos valores arcaicos que estavam a se encerrar nos anos 80 e acabamos com valores verdadeiros, que nos ajudariam a desenvolver a nossa personalidade. Só uma e outra ideia avançada ainda surge, mas isso é insuficiente para dizer que nossa sociedade está "evoluindo". Somente as máquinas estão dando sinais de evolução plena, enquanto os seres humanos seguem no sentido oposto.

E aí temos religião, esporte, drogas (licitas ou não), música ruim, televisão ruim e muitas outras ilusões que garantem a inércia intelectual da humanidade, deixando as elites tranquilas de que seus seculares interesses gananciosos não serão "bulidos".

Crianças índigo não existem, e nem as cristais. É tudo uma bobagem. Não existem espíritos missionários e sim espíritos que acreditam em valores evoluídos e lutam espontaneamente para difundi-los (como fez Jesus e vários outros). Esse negócio de crianças criadas para estimular a evolução - que NÃO está acontecendo - é pura falta de bom senso e excesso de imaginação.

E sinceramente, seu Divaldo Franco. Analise as comunicações antes de confirmá-las. Não existe médium perfeito e não falta espíritos enganadores dispostos a enganar pessoas carentes, se aproveitando da invisibilidade para se travestirem de " guias evoluídos". Nem que seja através de médiuns prestigiados, tidos  como "infalíveis gurus" do Movimento Espírita.

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