O problema do suicídio

Ontem eu estive conversando com uma amiga no Facebook, que estava desolada, pois seu irmão tinha cometido o suicídio. Vou poupar detalhes e a identificação da amiga, como forma de respeito a sua dor.

Suicídio sempre está relacionado com alguma coisa triste. Eu disse isso a ela. A tristeza é algo inerente a qualquer ato de suicídio, pois quem se mata, está tentando se livrar de algo. Não vou aqui dizer o que acontece com suicidas porque não fiz uma pesquisa séria sobre o assunto. Quero evitar a crendice que se torna cada vez mais comum no movimento espírita, onde transformam palpites e lendas em "pura verdade", quando na verdade sabemos que cada caso é um caso, não existindo padrão de responsabilidade para o cometimento de qualquer ato.

Eu já pensei várias vezes em suicídio. Hoje não penso mais em me matar, apesar do motivo para isso não ter acabado. Passei a usar mais a lógica e menos a emotividade. Raciocinando, analisamos mais os fatos, relacionando-os e entendemos como as coisas funcionam, mesmo erradas. Há coisas neste mundo (ainda mais numa sociedade atrasada mentalmente, como a brasileira) que não dependem de nossa ação. Estas, a gente deixa pra lá e desloca as ocupações e preocupações para as que dependem de nossa decisão.

Aceitar erros que não podemos consertar é algo extremamente complicado. Mas numa sociedade como a brasileira, onde vários erros aparecem arraigados, que acabam por prejudicar muita gente que não satisfaz as exigências baseadas nesses erros. E aí que aparecem os motivos para suicídios.

E para quem fica? Como fica?

O suicídio não é doloroso apenas para quem se mata. Para quem fica, também. Cada ato de suicídio traz uma complexidade de fatos que em muitos casos dificulta até mesmo o entendimento do cometimento desse ato. Não raramente, parentes e amigos adotam um comportamento de "culpa", como se estes fossem o motivo do suicídio, ou no mínimo, pelo arrependimento de não ter evitado.

Qualquer pessoa que esteja próxima de alguém que se matou, como no caso desta amiga, precisa de  muita compreensão e auxílio. Se o fato já é um forte choque para quem não conhecia o suicida, imagine para quem convivia com ele. É um trauma que pode levar muitos anos para desaparecer.

Quem conhece alguém que conviveu com alguém que cometeu suicídio, deve fazer de tudo para que aquele que fica se sinta tranquilizado e que tenha a consciência de que não teve culpa no tal ato. Mesmo que uma pessoa se mate por causa de algum fato desagradável causado por terceiros, a responsabilidade do suicídio é unica e exclusiva de quem se matou, que não será punido (não existe punições), mas simplesmente terá que encarar a conseqüência deste ato.

Para quem fica, tenha a certeza que, por mais desagradável que seja, um ato de suicídio sempre é compensado pelo amparo no mundo espiritual (nada a ver com as fantasias narradas na fábula "Nosso Lar", que são pura ficção), com o incansável trabalho de espíritos protetores, já que existe a consciência de que o suicida é, acima de tudo um doente e precisa de - muito, muito mesmo - apoio.

Suicídio nunca é bom. Significa negar os desafios que são úteis a nossa evolução. A felicidade é como o sol, ela sempre existe: mas as vezes vem a nuvens da tristeza e as encobre. Mas a felicidade está lá, é só saber dissipar as nuvens.

E para quem fica, paciência e confiança. Suicídio, por mais desagradável que seja, é algo que faz parte da vida. Sempre temos alguém em tristeza crônica e aqueles que se matam, levaram isso ao extremo. Mesmo eles nunca estarão desamparados pela Providência Divina. É orar por alguns minutos pelo suicida e continuar a vida, evitando sempre obsidiá-lo. 

A vida é um bem precioso, respeitado e garantido até pela lei terrena. Por pior que ela seja, sempre há como se resolver algo (como eu assisti num programa em um canal de documentários, sobre um cientista que mostrou como se virar para viver numa floresta densa), encarando desafios que desenvolverão qualidades que serão muito úteis no futuro.

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