Queiram ou não queiram, o Brasil é o povo, acima de tudo

Os direitistas tradicionalmente não gostam de gente. Para eles, pessoas só servem na hora de conceder favores. Em geral pessoas atrapalham e merecem ser tiradas do caminho, quando "desnecessárias". O que interessa para a direita é defender valores, bens e instituições. E quando eles falam em "salvar o Brasil, eles se referem ao Brasil-instituição e não um "território com gente em cima", como poderiam bradar em suas odiosas mentes.

A PEC 241 nasceu, segundo seus defensores, da "necessidade de salvar o país da crise". Mas lendo muito bem as propostas, conclui-se que a meta é tirar dos pobres para dar aos ricos. Não há nenhuma referência ao aumento da taxação aos ricos. Mas há muitas referências ao cancelamento de direitos essenciais. Trocando em miúdos: para "salvar" o Brasil, deve se ferrar com o povo.

Quem acredita que a PEC 241 vai salvar o país ou é ingênuo, ou é sádico. Como salvar o país se o país não existe sem a população. O que Temer quer com isso? Que o imenso território do Brasil seja habitado por uma meia dúzia de engravatados? Pois há quem diga, sem exageros, que muitas medidas da PEC 241 leve a um genocídio a longo prazo. Coerente com o crescimento do fascismo nas mentes conservadoras.

Fatos comprovam que há sim um desejo secreto por "higiene" social por parte das elites. Há indícios que a morte de inocentes em favelas, "confundidos com bandidos" seja na verdade proposital, para eliminar os pobres das cidades onde vivem. É o famoso "mata para perguntar depois", Atira-se, finge que foi engano e tudo fica por isso mesmo, pois os pobres mortos - do contrário que alguns fanáticos religiosos acreditam - nunca retornarão a vida.

A PEC 241, que já é conhecida como a PEC das Maldades, na verdade quer tirar o Estado fora de sua responsabilidade social. O Estado existe para os ricos, que a despeito do corte de gastos, receberam uma gorda ajuda do mesmo governo que criou a PEC 241. É difícil negar a existência da intenção em tirar dos pobres para dar aos ricos. Se Robin Hood tem antônimo, a palavra é "Michel Temer".

Estranho falar em "salvar o país" condenando a sua população. Para os defensores da PEC 241, o Brasil é uma entidade abstrata que não deveria ter povo. Para a direita, seres humanos são somente um detalhe. A direita sempre sonhou com o dia que eles nunca serão tocados por seres humanos. A PEC 241 pode fazer este sonho tornar-se realidade.

Não surpreendamos se o Brasil um dia virar um grande deserto com umas duas ou três mansões instaladas, prestes a sumir também com falta de trabalhadores para servir e fregueses para pagar, mortos pela não satisfação dos direitos essenciais cancelados pelo que a elite classifica como a "PEC da Responsabilidade", PEC da Morte para os mais realistas.

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