Não somos brasileiros. Estamos brasileiros. E um dia deixaremos de ser

O patriotismo na verdade é um sentimento materialista. Se ainda temos que cultuar símbolos cívicos e amar um pedaço de terra é porque ainda estamos atrasados e não temos a condição de entender que a nossa verdadeira pátria é o universo em toda a sua extensão. Somos limitados e infelizmente somos educados a sentirmos felizes nesses limites.

Não dá para entender porque muitos que se dizem espíritas se afirmam patriotas e ainda tremem quando ouvem o Hino Nacional que, cá pra nós, é bem rebuscado, prolixo e seu conteúdo está bem aquém e além da realidade de nosso país. Temos um hino cuja letra é pura ficção e ainda endeusamos a mesma.

Adorar símbolos cívicos pode até parecer bonito, mas convenhamos: o que há de respeitoso em adorarmos pedaços de pano, escudos de metal, e um hino sem sentido, além de um monte de areia, se ainda não aprendemos a amar a verdadeira riqueza de nosso país: as pessoas que vivem nele?

Do contrário que muitos "espíritas" lunáticos pensam, o Brasil não está próspero e ainda estará bem longe da prosperidade. Líder mundial? Tem que ser muito infantil para acreditar que o Brasil vai liderar o mundo nas condições em que se encontra, com problemas sem solução e uma população que ainda não aprendeu a usar o discernimento e que só sabe promover brigas em redes sociais, por causa da teimosia dos incoerentes. Estamos muito, mais muito longe de sermos um exemplo para o mundo. Creio que no mínimo uns 10 milênios sejam necessários para isso.

Se não bastasse a nossa historiografia toda ter sido contada através de lendas alucinadas, ainda temos que engolir a farsa da tese da "liderança mundial", onde se crê que no início do século XXI, o Brasil liderará o mundo. Acordem, crianças! E amadureçam!

Vamos curtir os festejos do Dia da Pátria, mas sabendo que são apenas festejos. Como aquela festa infantil cheia de balões, com doces na mesa e palhaços no palco. Quando a maturidade chegar, daqui a muitos milênios, vamos perceber que todo esse culto foi inútil e só serviu para nos ajudar a fugir da verdadeira luta que a suposta brava gente tem a missão de seguir: a de contribuir para uma sociedade mais justa e sem problemas. Mas isso é muito mais difícil do que segurar bandeirinha e sorrir para soldados.

Mais difícil até do que entender a absurda e complicada letra de nosso hino.

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