Quando a caridade pode ser nociva - Parte 1: A caridade que cria dependência

A maioria das pessoas não consegue perceber que a caridade pode esconder o seu lado ruim. Dependendo de quem a faz, dependendo de como é feita, ela pode trazer mais prejuízos do que benefícios, além de servir de vitrine para que o suposto benfeitor seja visto como tal. Uma promoção pessoal que poder transformar vilões em heróis, já que em muitos casos o prejuízo embutido no ato de aparente caridade não aparece explicitamente.

Muitas instituições fazem a caridade estereotipada, aquela com ajudas superficiais que servem apenas como consolo, ao invés de resolver os problemas. Muita gente gosta da caridade estereotipada, mas quem é mais atento percebe que não passam de paliativos. Mas não é apenas o fato de ser paliativo que é ruim. Este tipo de caridade pode criar dependência.

Vocês já devem ter ouvido aquele provérbio que diz que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe. Esse tipo de caridade paliativa só serve para "dar o peixe". E como o tal "peixe" dura bem pouco, acaba criando um laço de dependência entre o "benfeitor" e seu assistido, o que pode dar poder ao suposto benfeitor que pode se aproveitar do assistido para satisfazer os seus interesses pessoais.

Isso ocorre muito nas religiões, onde o assistencialismo (nome dado à caridade estereotipada) serve como forma de fazer com que as pessoas ajudadas convertam à crença defendida por quem está ajudando. Isso é um exemplo e será melhor destrinchado em outra postagem, continuação desta.

O assistido vira um dependente do seu "benfeitor", pois terá que sempre recorrer a ele para repor o benefício que não durou. Incapaz de andar com as próprias pernas, o assistido se transforma em uma espécie de refém de seu benfeitor, sempre correndo o risco de satisfazer os interesses deste.

Eventos de distribuição de cestas básicas, de presentes, os tratamentos "espirituais",  os "auxílios fraternos" são exemplos de atitudes a fazer com que os socorridos tenham a dependência de seus "benfeitores". Sabe-se muito bem que os tais "benefeitores" vão criar meios para que seus ajudados continuem dependendo de ajuda, já que lucram muito financeiramente, socialmente e até politicamente com esta dependência.

Isso explica porque muitos tratamentos espirituais são tão longos e a caridade material tão reduzida e paliativa: para fazer com que os assistidos precisem sempre renovar a sua recepção de ajuda.

Com isso, os "benfeitores" vão sempre preferir  a caridade que nunca resolve aos problemas, pois se resolver, rompe o laço de dependência. Rompendo esse laço, vão acabar no final sem ter alguém para fazer o papel de "escravo" de suas vontades, jogando fora uma oportunidade de lucro fácil e manobra ideológica.

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