Países menos religiosos são mais justos

OBS: Uma boa notícia para os intelectuais que é ao mesmo tempo uma má notícia para os religiosos: com a evolução da humanidade, as religiões vão desaparecer.  Mal sabem os religiosos que esse hábito de cultuar lendas e entregar as rédeas de sua vida a seres inexistentes é algo primitivo e que o legal é caminhar com as próprias pernas e acreditando em fatos, não em ficção.

A religiosidade na verdade é um resquício da infância na vida adulta, já que há a necessidade de proteção (Deus) e a crença em contos de fada (as crenças insistentes em "fatos" nunca confirmados), que caracterizam a vida pueril. A libertação das correntes religiosas é sinal de maturidade e de auto-confiança, fazendo com que o altruísmo e o respeito aos seres humanos seja mais espontâneo e não resultado de um "temor divino", já que Deus, mesmo que exista de fato (eu acredito que Deus existe, mas é totalmente diferente de que as religiões dizem), não existe para ser temido e sim amado e respeitado.

O fato de que as sociedades mais evoluídas são as menos religiosas prova que o caminho é esse mesmo: divórcio total e irreversível a esse conjunto de ficções que travam a evolução da humanidade e que são conhecidas como religião.

As religiões, consideradas como "reguladoras morais" da sociedade, têm dado muito dinheiro e mais ainda poder aos seus líderes, cegamente obedecidos pela população. Esse é um malefício que se soma a frequente enganação da humanidade com a transformação de puras lendas em verdades absolutas, resultando neste atraso moral e intelectual que vemos no Brasil, país de altíssima religiosidade e com qualidade de vida péssima e injusta. Vamos evoluir acreditando em mentiras? Certamente que não.

PAÍSES MENOS RELIGIOSOS SÃO MAIS JUSTOS, CONFIRMAM AS PESQUISAS

Igor Roosevelt - Recanto das Letras

Faz quase um século e meio que a célebre interpretação de um trecho do livro “Os Irmãos Karamazov”, do grande escritor russo Dostoievsky tem sido copiosamente enfatizada pelos teístas: Se Deus não existe tudo é permitido. Muitos religiosos expressam com essa frase a idéia de que sem a crença em algo divino, os homens não teriam um limite, nenhuma razão para fazer o bem. Sem a promessa de uma vida eterna e feliz os homens não fariam o bem a fim de buscá-la e sem a ameaça de um tormento eterno para quem não controlasse seus instintos, os homens não conseguiriam controlar-se e perder-se-iam em hedonismo. Mesmo que, como disse Bertrand Russell, uma virtude que tem suas raízes no medo não seja lá muito digna de ser admirada, para muitos ela é a única possível para nós, pecadores por natureza. Apontam casos onde o ateísmo predominou e o que se seguiu foi uma série de enormes barbáries, como na antiga União Soviética. Mas não poderia haver mesmo possibilidades de se levar uma vida ética e justa sem Deus?

Segundo o sociólogo norte-americano Phil Zuckerman isso é efetivamente possível. De acordo com uma pesquisa que ele realizou e publicou em seu livro "Society Without God – What the Least Religious Nations Can Tell Us About Contentment" [Sociedade sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação], os países menos religiosos do mundo são os mais justos, mais éticos, possuem forte economia, baixa taxa de criminalidade, os mais altos índices de qualidade de vida, altos padrões de vida e igualdade social. Ao contrário, os países mais religiosos são aqueles com maior desigualdade, criminalidade, corrupção, injustiça e outras pragas sociais, como Brasil. Com essa pesquisa ele provou que é errada a crença dos norte-americanos e de outras pessoas (como os brasileiros) de que um país sem Deus inevitavelmente cairia na criminalidade, na imoralidade e na degeneração. Muito pelo contrário, os países mais éticos e justos são a Suécia e a Dinamarca, que são  países com baixíssima religiosidade (recentemente outra pesquisa mostrou que os dinamarqueses são as pessoas mais felizes e satisfeitas do mundo). Mostra algo que todos os ateus já sabiam e que somente os crentes ignorantes sobre o assunto alimentam com seu preconceito: é possível valorizar o bem, a justiça, o homem e a vida por si mesmos, sem precisar acreditar que Deus nos castigará se não o fizermos. Completa Zuckerman:

“Os dinamarqueses e os suecos têm um respeito muito forte pela dignidade humana. Eles criaram sociedades com as menores taxas de pobreza do mundo, as menores taxas de crimes violentos do mundo e o melhor sistema de educação e de saúde do mundo. Eles fizeram isso não como uma tentativa de agradar ou alcançar Deus, mas porque vêem um valor manifesto na vida humana e acreditam que o sofrimento é um mal em e além de si mesmo.”

(Entrevista na íntegra: http://integras.blogspot.com/2008/12/pas-menos-religiosos-so-os-mais.html)

Encontrei números sobre países irreligiosos em um site evangélico:

“Suécia (85%), Vietnam (81%), Dinamarca (80%), Noruega (72%), Japão (65%) e República Checa (61%) respectivamente, encabeçam a lista, seguidos por Finlândia (60%), França (54%), Coréia do Sul (52%), Estônia (49%), Alemanha (49%), Rússia (48%), Hungria (46%), Holanda (44%), Inglaterra (44%) etc. Todos esses países possuem alta renda per capta, exceto o Vietnam, onde o ateísmo não é orgânico, mas coercivo, isto é, imposto ou induzido pelo regime político ou religioso. Essa situação é encontrada também nos países do continente asiático – o mais populoso do mundo –, na Oceania e no Oriente Médio.”

(Fonte: http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=74&materia=837)

Outra fonte vem de Sam Harris, famoso filósofo ateu norte-americano em “Carta A Uma Nação Cristã”, onde ele mostra que os países mais desenvolvidos, justos e igualitários do mundo são compostos, em sua grande maioria, por ateus e não-religiosos. Nações desenvolvidas, mas que são muito religiosas, como os Estados Unidos, possuem taxas de criminalidade, injustiça, desigualdade, etc. menores que as dos países subdesenvolvidos, mas no entanto ficam muito aquém dos países ateus da Europa. Os Estados Unidos são um país com alta taxa de criminalidade, ao contrário dos países “ateus” do norte da Europa. Sam Harris mostra que na França, 70% (!) dos detentos nas prisões francesas são muçulmanos. A quantidade de ateus nas prisões francesas é muito pequena. Ao contrário do Brasil, onde o ateísmo não chega a 5%, portanto seria normal não encontrar muitos presidiários ateus (e não encontram). Na França, no entanto, existem muitos ateus, mas eles não saem por ai cometendo todos os tipos de crimes. Sam Harris continua:

“Noruega, Islândia, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda. Dinamarca e Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da Terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores da expectativa de vida, alfabetização, renda per capta, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídio e mortalidade infantil.”

Dostoievski estava errado. É possível viver bem, justa e eticamente sem Deus. Muitos acham que os ateus, por não acreditarem em Deus, também não acreditam em valores morais, mas é justamente o contrário. Ateus acreditam no bem, no amor, na igualdade e na justiça. Mas diferentemente dos crentes, os ateus pensam em tais coisas como bens em si mesmos. Não pensamos que devemos ser justos e morais porque, caso contrário, seríamos punidos por um ser superior, mas devemos ser justos e morais porque isso é o certo. Além do mais, acreditar em Deus não garante um comportamento mais moral e justo, por isso existem as leis escritas, a polícia e o Estado. Mesmo que todos acreditassem em Deus e frequentasse a Igreja todos os Domingos, muitos deles não cometeriam crimes, não por fé em Deus, mas por medo da justiça dos homens mesmo.

Se os descrentes são mesmo os monstros devassos pintados pela religião e pela Bíblia, como eles conseguiram formar uma sociedade mais justa e igualitária que os religiosos? Zuckerman responde:

“Não é necessário acreditar em Deus para acreditar na justiça. De fato, se poderia argumentar que aqueles que acreditam fortemente em Deus podem ser mais indiferentes e assumir que “tudo está nas mãos de Deus”, enquanto que os seculares sabem que a possibilidade de construir uma vida e um mundo melhores está nas mãos deles e apenas deles. Então, os dinamarqueses e os suecos contaram apenas com o seu próprio esforço – não com orações a Deus.”

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