Eleitores de Bolsonaro não ligam para soberania nacional e para direitos. Querem apenas segurança e respeito à moral cristã

Quem é sensato pergunta porque um candidato que promete destruir o país e acabar com os direitos da população segue bem nas pesquisas atraindo tanta gente disposta a votar nele. Sim, o candidato Bolsonaro, que promete fazer uma versão brasileira do neofascismo está cada vez mais popular, por mais surreal que possa parecer. Mas porque isso acontece.

Claro que o anti-petismo estimulado pelos grandes magnatas que se recusam a redistribuir bens e direitos com o resto da população, ajuda bastante, inventando mentiras sobre as forças progressistas para que deixem o caminho livre para os representantes das elites retrógradas e gananciosas tomarem o poder e governarem exclusivamente em prol dos mais ricos.

Aliás, os mais ricos conhecem o plano. Preferiram Alckmin. Mas como o tucano vai de mal a pior nas pesquisas, preferiram o fascismo do que a social-democracia relativamente bem sucedida dos governos petistas. Pelo menos o fascismo não promete tirar dinheiro dos ricos para dar aos pobres. E se matar os pobres, melhor para o sossego dos mais ricos.

E os pobres que votarão em Bolsonaro? Bom, os ricos que conhecem muito bem o planejamento do jogo político, vão se aproveitando do desinteresse intelectual, estimulando, através de informações falsas ou distorcidas, a adesão a um candidato que de fato será sádico com os menos favorecidos.

As elites sabem muito bem que estão em número bem reduzido para garantir uma eleição. Por isso precisam dos pobres para que seu candidato seja eleito. Através da mídia e de lideranças religiosas interesseiras, vão convencendo pessoas de pouca escolaridade ou pouco nível intelectual (na classe media há muita gente que detesta raciocinar, embora posa de "sábia") a votar no representante dessas elites.

Como Bolsonaro tem como assessor econômico um ultraliberal (face mais cruel do neoliberalismo), as elites se tranquilizaram e logo abriram os braços (e as pernas) para Bolsonaro que, além de matar pobres através da violência, poderá matar pela fome, por doença e pelo frio, pois os direitos dos menos favorecidos estarão francamente cancelados.

Mas o povo nem liga. Se os pobres que decidiram votar em Bolsonaro conhecessem o programa de governo de seu candidato, facilmente desistiriam dele. Mas todo o empenho é feito para que apenas as pautas moralistas e de segurança cheguem aos eleitores pobres do "coiso", tornando o projeto econômico desconhecido de seus próprios eleitores.

Projeto que se tornará desconhecido até Bolsonaro entrar no Palácio do Planalto. Mas aí será tarde e os eleitores só perceberão depois de ver seus direitos serem cancelados. Traídos, se revoltarão contra Bolsonaro, que fará de tudo para calar os protestos populares, favorecendo ainda mais a violência contra a população, já que encontrou uma justificativa para isso.

Mesmo assim, a população quer votar em Bolsonaro por causa da pauta moralista de origem cristã e pela segurança, já que a agressividade do ex-militar passa a ideia de um líder decidido que promete resolver os problemas com rapidez, eliminando do caminho supostos "bandidos", "corruptos" e os que desobedecerem as regras dos "bons costumes". 

Para os pobres que pretendem votar em Bolsonaro, segurança e moral são o suficiente. Vários até se dispõem a passar fome e necessidade para "combater a criminalidade e a corrupção" e para garantir o respeito a moralidade cristã e seus dogmas. Por isso mesmo que a pauta econômica não desperta tanto interesse da camada pobre de eleitores de Bolsonaro.

Já para os simpatizantes mais ricos do ex-militar, a pauta econômica interessa muito e por isso que estes magnatas estão com ele. Parte econômica que nada mais é que a continuação do projeto de Temer que destrói o país aos poucos, enfiando na maior crise que o país já conheceu em 518 anos de existência. E Bolsonaro promete intensificá-lo, tornando o programa mais nocivo. Os ricos aplaudem.

Mas estes ricaços mesmo sabem que as pautas morais seduzem a população e por isso elaboram uma publicidade moralista para forçar os pobres a votarem em prol dos interesses dos mais ricos. Ou seja, está construída uma armadilha. Armadilha que os mais pobres conhecerão apenas quando for tarde demais...

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