De onde vem a fé

OBS: Este excelente texto, retirado de um site ateu, é interessante porque mostra como a sociedade adquire a fé. O saudoso José Manoel Barboza havia sugerido que a ideologia dos ateus é necessária para limparmos as nossas mentes das impurezas dogmáticas que fazem com que nos submetamos a delirantes estórias de ficção, como se fossem verdades inquestionáveis. Após esta limpeza, aí sim poderemos ler Kardec sem culpa e aprender mais sobre o verdadeiro Espiritismo, entendendo Deus como é - e não como queremos que seja - evitando se enganar com esta versão brasileira chinfrim, tão dogmática quanto qualquer outra religião.

De onde vem a fé

Barros - Blog DeusIlusão

Segundo o dicionário Houaiss (lê-se “uáis”), na sua acepção mais comum, “dogma” é o ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar. São assuntos sagrados, imexíveis, imutáveis e inquestionáveis: “Aceite e ponto. Você não precisa ? nem deve!!! ?  pensar a respeito”.

A fé religiosa se apoia numa parte do cérebro humano de onde a razão teve de ser extirpada. Mas esse processo é demorado, portanto precisa começar bem cedo. Quando somos crianças, nossos pais, nossa família e a sociedade na qual calhamos de nascer nos enfiam sistemática e ininterruptamente goela abaixo ? seria melhor dizer: cérebro adentro ?, uma série de “certezas” que a nossa mente indefesa e honesta inevitavelmente acaba por absorver. Quanto mais o tempo passa, mais essas certezas são discutidas, rezadas, encenadas, lidas, catequizadas a ponto de ficarmos fascinados por elas e vê-las, por fim, como coisas que fazem parte do mundo real. Além do mais — nós pensamos — , todas aquelas pessoas, para nós revestidas de enorme autoridade, não poderiam estar erradas. Não ao mesmo tempo. Não durante tanto tempo.

E a fé então se instala. Não importa o que foi dito à criança, ela irá acreditar. E os dogmas vão dar ponto e servir para manter incólume tudo o que ela aprendeu, mesmo (e principalmente) ante as futuras e previsíveis investidas da razão.

As pessoas acreditam no que acreditam porque foram doutrinadas para isso. Todas as outras pessoas que elas conheceram, amaram, respeitaram e em quem acreditaram durante os seus primeiros anos de vida diziam que as coisas eram assim, e que elas deveriam acreditar também. Claro que, em algum momento da nossa infância, de um jeito ou de outro, fomos informados de que o Saci-Pererê e o Papai Noel não eram reais. Mas ninguém veio nos dizer que Deus também não era.

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