Enquanto o mundo protesta, esquerdas brasileiras sonham com uma Teocracia com Lula

As esquerdas brasileiras são conservadoras. São assim porque são brasileiras. Brasileiro é conservador, odeia mudanças e luta para manter valores retrógrados que são considerados positivos. A religiosidade - renomeada eufemisticamente como "espiritualidade" - é um desses valores.

Enquanto outras nações assistem a protestos com uma certa agressividade - o que é correto, já que a burguesia comete muitas agressividades, físicas, morais e financeiras contra os mais pobres - representando uma ameaça real ás forças opressoras, os brasileiros decidiram entregar a melhoria do país ao Gigante Invisível que chamam de "Deus" e que na verdade vive dentro do cérebro da cada fiel.

O lançamento do livro Lula e a Espiritualidade, escrita por várias lideranças religiosas e compilada pelo jornalista Mauro Lopes, sempre simpático e inteligente, mas também bastante ingênuo e otimista em excesso. O livro tenta associar a personalidade de Lula com as religiões, o que pode ser interpretado como a esperança de ver uma Teocracia liderada por Lula, ou melhor, Aiatolula.

É de uma infantilidade sem tamanho, além de representar a insistência em manter a religiosidade quando países mais evoluídos, educados e justos, começam a eliminar a fé religiosa de seu cotidiano e de sua cultura. Fé é algo que só existe na cabeça de cada um e impô-la à realidade só tem gerado danos e discórdia.

FAKE NEWS PARA CONVERTER O DIREITISTA CHICO XAVIER EM "COMUNA"

Junto com o livro, foi organizado em Salvador, Bahia, um encontro de supostos espíritas de esquerda, liderados pelo psicólogo paulista Franlkin Félix, já exaltado pelos seus admiradores como sucessor de Divaldo Franco na liderança publicitária da doutrina.

O encontro de "espíritas" de "esquerda" faz parte desta iniciativa em aprisionar o socialismo, naturalmente ateu, a uma religiosidade cada vez mais alucinada, com dogmas do moralismo medieval moldados para que se adaptem aos tempos modernos.

O tal encontro teve pouca gente, mas foi bem divulgada em vários sites, sobretudo os religiosos e os de esquerda. O direitista Correio Espírita (sic) do Rio de Janeiro, que apoiou claramente o golpe e não escreve uma linha contra Bolsonaro, irá divulgar o evento? Provavelmente que não.

O encontro tenta o improvável: unir o progressismo religioso a dogmas retrógrados que glorificam o sofrimento, condenam aborto, eutanásia e suicídio e exaltam um suposto "médium" autor de livros cheios de erros e equívocos, além de dar entrevistas com diagnósticos errados sobre o mundo real, provando que NÃO está sintonizado com espíritos realmente responsáveis.

Mas para estabelecer essa associação forçada entre um "médium" educado no Catolicismo medieval e altamente moralista com ideais progressistas de avanço humanitário, Félix e um monte de pseudo-cientista em universidades pelo país, lançam mão de fake news sem pé nem cabeça para tentar convencer de que Chico Xavier "era de esquerda mas teve que fingir conservadorismo para não ser preso". Uma idiotice que somente o desespero de proteger um ídolo religioso pode justificar.

O amor entre as esquerdas e lideranças "espíritas" tradicionais não é recíproco. Fontes seguras garantem que Chico Xavier odiava as esquerdas e tinha medo de Lula, a quem considerava como algo próximo a um terrorista islâmico. Xavier sempre apoiou direitistas, algo coerente com o senso moral retrógrado que tinha e apoiou a ditadura militar em sua pior fase, quando quase ninguém mais apoiava. Achava que militares como Carlos Alberto Ulstra estavam construindo um "reino de amor".

TEOCRACIA LULO-PETISTA

Esta e outras iniciativas que ocorrem pelo país mostram que as esquerdas - que nunca lutaram pelo direito de ateus, deixando-os por conta própria - não estão muito dispostas a lutar e sim orar para que o tal Gigante Invisível resolva sozinho os problemas do país, provavelmente enviando o super-herói Chico Xavier para ir voando a Curitiba e arrancar na marra Lula de lá para, ainda voando, levá-lo ao Palácio do Planalto e colocá-lo na fatídica carreira para governar o país, guiado por "Deus".

É evidente, mas nunca comentado para evitar polêmicas, de que as esquerdas religiosas sonham com uma Teocracia com Lula. Certamente o ex-metalúrgico e ex-presidente não abrirá mão da Constituição. Mas não tomará qualquer decisão para o país sem consultar a Bíblia, que definitivamente dormirá na mesa presidencial, se depender da vontade dos fiéis que amam Lula. Amém?

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