Que tipo de caridade você pretende fazer?

Bom, hoje iniciam os festejos de Natal. Todos falam em caridade, em ajudar o próximo, dar presentes, enfim se dedicar aos outros. Mas o que se nota que isso é feito há muitos anos e NÃO tem melhorado nada a nossa sociedade como um todo. Fala-se muito em melhorar as vidas dos outros e nada melhora. Porquê?

O que a maioria das pessoas entende como caridade nada mais é do que assistencialismo paliativo. Uma forma de caridade que consola, compensa, mas não transforma e nem resolve problemas. É sempre assim: dá se um conforto para alguém carente que por alguns dias se sente bem, não porque os problemas acabaram, mas porque conseguiu, por um momento se esconder deles. 

Mas a caridade paliativa tem prazo de validade. Encerrada, os velhos problemas, como seres fiéis aos pobres carentes, retornam para continuar sua bagunça. Mas aí vão dizer: "Ah, mas tem as ONGs, que cuidam permanentemente de pessoas". Sobre isso, há algo a observar.

As ONGs, infelizmente, como toda propriedade, são a voz do dono. Também não é uma forma ideal de caridade porque condiciona o auxiliado ao modo de pensar de seu tutor. É uma troca, do tipo: "dou o seu, você dá o meu", sendo uma excelente forma de domínio e manipulação ideológica. O auxiliado, ao se emancipar, n[ao sai de lá um cidadão independente, mas um robô, como boa parte dos brasileiros, a defender valores dúbios solidificados e a obedecer cegamente as regras que garantem os privilégios de uma elite eternamente egoísta e mandatária. Uma mente perdida que não transformará o mundo.

E que tipo de caridade então deve ser feita? Independente de ser um ato que "dê o peixe" ou "ensine a pescar", tem que eliminar problemas. Curto e bem grosso: a verdadeira caridade acaba com os problemas. Caridade que consola, que compensa é caridade paliativa. E a caridade paliativa é a garantia de retorno dos problemas, pois eles não foram eliminados.

Qualquer coisa que elimine problemas, que faça com que as pessoas se ponham no lugar as outras, que ofereça ao carente algo útil e que além de dignidade, lhe dê a satisfação das necessidades. E tem que ser algo permanente, sólido, para que a pessoa auxiliada possa um dia não necessitar mais de ajuda, sendo capaz de caminhar com as próprias pernas e, talvez, passar a ajudar outras pessoas, para que a corrente da verdadeira caridade possa agir para que a sociedade como um todo resolva seus problemas.

Consolação não é caridade. Dar cestinhas básicas não resolve tudo. Um exemplo: porque não dar uma casa? Um teto, nem que seja de um cômodo só? É um tipo de caridade que resolve, pois apesar de ser uma necessidade básica, a moradia ainda é um bem muito caro e muita gente boa e trabalhadora mora nas ruas por não ter dinheiro nem para pagar aluguel. Ter uma moradia própria ajuda a resolver muitos problemas.

E isso foi só um exemplo. Outro bom exemplo é lutar para que as leis mudem e favoreçam a eliminação de problemas coletivos, oferecendo soluções mais eficientes, eliminando injustiças e burocracia. Pode parecer estranho, mas sair as ruas pedindo melhorias é uma forma de caridade real, que visa resolver problemas e não fugir momentaneamente deles.

Pense numa ato de caridade que possa transformar a vida. Que possa eliminar problemas e oferecer dignidade ao carente auxiliado. Não há nada de dignidade em viver cronicamente dependente da ajuda alheia. Ideal é cada um caminhar com as próprias pernas, tendo como sustentar suas mínimas necessidades.

Pense nisso antes de fazer qualquer caridade. A verdadeira caridade não precisa se esconder. O que precisa é resolver problemas. Pois se a caridade permite que problemas continuem, é um evidente sinal de fracasso dessa caridade. O que significa que nada adiantou. Puro desperdício.

Comentários

Seguidores

Google+ Followers

Postagens mais visitadas