Como melhorar a vida de algumas pessoas sem melhorar a sociedade como um todo

Quando eu digo que quero mudar o mundo, muita gente dá risada. Muitos acham impossível melhorar a sociedade como um todo. Mas a lógica me obriga a discordar. Se todas as pessoas estivessem unidas em um só objetivo, aí sim, seria muito possível e relativamente fácil melhorar o mundo.

Mas mesmo assim, todo mundo gosta de posar de caridoso. Atrai respeito e prestígio. Não melhora nada, não resolve problemas e muito menos serve de exemplo de transformação social. Mas faz bem para o ego e livra do rótulo de vilania, favorecendo que todos continuem a cometer erros nesta sociedade ainda tão imatura.

Por isso mesmo, as pessoas preferem formas de caridade paliativas, que não transformem a sociedade mas que possam fazer com que pessoas carentes consigam viver com os problemas do lado. Polir os problemas ou criar condições para que os problemas crônicos se tornem menos nocivos são os objetivos dessa caridade frouxa, mas constantemente praticada.

Todos sabem que eliminar problemas é muito difícil, pois exige esforço, sabedoria complexa e - o que incomoda mais as pessoas - a negação de fontes de prazer e de valores considerados positivos. Como ninguém quer se esforçar e se livrar de prazeres, de valores positivos, mantém-se os problemas, criando apenas condições para suportá-los, até que um dia desapareçam espontaneamente. isso se desaparecerem.

Sei que é triste dizer isso, mas toda a caridade que está sendo feita há anos no Brasil, tem sido bastante inútil na transformação total da sociedade. Ricos e privilegiados não estão a fim de livrar de seus excessos, ignorando que possuem maior responsabilidade que as outras pessoas na hora de ajudar os outros. Nisso, esses privilegiados acabam fazendo a mesma caridade dos pobres mortais, mantendo as injustiças e as desigualdades intactas. Pois que graça tem um rico fazer caridade se ele continua rico, sendo mais próspero que os outros? 

E as instituições da caridade, ajudam? Claro que não! Percebe-se facilmente que crianças auxiliadas em instituições, quando saem delas, se transformam em adultos conformistas que aceitam o sistema e nada fazem para mudá-lo, se limitando a criar "jeitinhos" para viver confortavelmente ao lado do problema que nunca será resolvido.

Suportar os problemas: essa é a finalidade da caridade paliativa. Numa sociedade acomodada, crédula e intelectualmente preguiçosa, é muito mais cômodo que criemos "jeitinhos" para que nos sintamos "felizes" numa sociedade cada vez mais injusta e cheia de problemas crônicos que crescem a cada dia.

Com o crescimento dos problemas, se está difícil resolvê-los no estágio atual, imagine quando os mesmos problemas se tornarem gigantescos. Quero ver quando aparecerá o verdadeiro herói que terá a rara coragem para resolvê-los.

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