Religiosidade aumenta ainda mais o caráter ridicularizante do futebol

Se não bastasse um festival de tolices e atitudes ridículas que torcedores e jogadores fazem em prol do futebol, estimulados por uma mídia cada vez mais alienante e por regras sociais ao mesmo tempo rígidas e absurdas, a religiosidade, que já é uma tolice em si, chega para tornar o futebol ainda mais patético.

As religiões são o grande mal da sociedade, pois ensina que o cérebro, este órgão tão valioso que nos faz diferentes das outras espécies de animais, deva ser cada vez menos utilizado, já que o que interessa é acreditar, com base no prestígio de lideres religiosos que se auto-denominam representantes desta entidade indefinível chamada "Deus". E justamente por ser indefinível, cada um constrói o seu "Deus" ao seu bel prazer, com as características que confortam a cada um.

Através das religiões, os seres humanos e ainda mais os brasileiros, acharam melhor não pensar. Acreditar é o que interessa, por mais absurdos que sejam os dogmas. Pensar pra quê? O cérebro só deve ser utilizado no estudo e no trabalho e só. No tempo livre ele deve ser cada vez menos utilizado, para que não possa oferecer perigo a autoridades, líderes e ídolos que dependem da manutenção de muitos erros, problemas e injustiças para se manter no poder e ganhar muito dinheiro. Cérebro em atividade é a pior arma contra sistemas injustos. E as religiões protegem os poderosos dessa arma de "alta periculosidade".

Aliás, não pensar é muito bom para quem não gosta. Mantém ilusões, poupa esforços e não cria inimizades a líderes que poderiam nos prejudicar. Uma beleza. Não pensar nos faz pensar que somos perfeitos sem ser, somos felizes sem ser, somos bondosos sem ser. Para os ignorantes e alienados o mundo é sempre muito melhor do que ele é de fato. E nada melhor do que a religião para trancafiar as pessoas na irracionalidade da alienação.

E junto ao futebol, a religiosidade acaba formando uma dupla implacável de ilusões a travar cérebros e desviar as pessoas da realidade. Ainda mais quando os torcedores e jogadores se utilizam da religião para tentar ganhar partidas e campeonatos. Nada mais patético do que uma pessoa pedir às divindades que ajudem na vitória de um esporte. Uma contradição cometida pelos próprios fiéis-torcedores: se o Deus deles realmente existisse e é onipotente ao extremo, porque ele iria perder o seu tempo com algo tão supérfluo e mesquinho quanto o futebol? Muita tolice para uma coisa só.

Eu mesmo não fico perdendo tempo com nenhuma das duas coisas que seguidas de forma moderada, são até válidas culturalmente. Mas quando excedem, deixando a esfera da cultura e começam a interferir na realidade cotidiana, o futebol e a religião são capazes de realizar grandes e duradouros estragos que acabam ficando difíceis de se reverter, tornando erros, problemas e injustiças cronicamente duradouros. E não há Deus nenhum, real ou fictício, que possa consertar isso.

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