O Aiatolá dos "Cristãos"


Se não bastasse o festival de atrocidades que o ex-militar Jair Bolsonaro promete fazer com o Brasil, acrescentem mais um: o "Coiso" transformará o Brasil em uma teocracia "cristã", sobretudo pela base evangélica que o apoia.

O próprio lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" (muito parecido com o lema "Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho", criada por Chico Xavier que dizia que ditadores e torturadores estavam "construindo um reino de amor" - o "Espiritismo" brasileiro dá sinais subliminares de que apoiará Bolsonaro, embora preferisse os tucanos, hoje desmoralizados e em queda nas pesquisas) já deixa bem claro os objetivos teocráticos do ex-militar.

É sabido que, mais do que representante dos militares, Bolsonaro é representante dos evangélicos. Pouco antes do golpe, uma igreja evangélica colocou jovens vestidos de soldado, possivelmente criando um exército paramilitar. Pode parecer coincidência, mas pode ser o início de algo que em pleno 2018 s tornou um fato: o apoio de evangélicos ao "Coiso".

Mas não apenas os evangélicos. Como esta postagem citou acima, os "espíritas", por integrarem uma seita de elite, apoiarão Bolsonaro. Há um padre católico da linha neo-medieval, Paulo Ricardo, que tem aparecido junto a candidato ex-militar, inclusive segurando armas. Recentemente, Edir Macedo já declarou apoio ao candidato fascista.

Todo o cenário está sendo preparado para que Bolsonaro aja como uma espécie de "Aiatolá" dos "cristãos", governando a favor dos líderes religiosos - e não para a população carente como queria Jesus Cristo, um proto-socialista que reprovaria o uso de seu nome pelas forças conservadoras. No governo Bolsonaro, os pobres terão que se virar se quiserem uma vida digna.

Ou seja, o Brasil, com população polarizada - verdade, Bolsonaro atrai a simpatia de muitos não-ricos odiosos que manipulados pelos meios de comunicação, acreditam nas mentiras que criminalizam as forças progressistas, pode entrar em uma situação parecida com a do Oriente Médio, com parte da população babando de ódio, não encontrando obstáculos para agredir quem quiser, usando justificativas morais para prejudicar quem ela considera errado.

Se pensam que a agressividade bolosnariana eo Cristianismo praticado nessas igrejas e centros é contraditório, lamento dizer que não. A Bíblia é cheia de episódios estimulando a violência contra opositores ideológicos. Jesus é usado para dar verniz de bondade a essas seitas, mas o exemplo de altruísmo praticado por ele pouco e mencionado por estas seitas.

Na verdade, estas seitas desejam tirar do caminho aqueles que atrapalham a ganância de seus líderes que usam a irracionalidade estimulada pela fé cega para manipular multidões a ajudar estas lideranças (evangélicas, católicas e "espíritas") a enriquecer financeiramente e obter poder sobre multidões. tudo em nome do mesmo Jesus que reprovaria tudo isso.

Mesmo que Bolsonaro não ganhe, a onda de ódio saiu da jaula. O leão está solto nas ruas, disposto a derramar sangue em prol do "fim da corrupção" e do "respeito a moral cristã". Se ganhar, estará dado  o sinal verde para que um bando de sociopatas desequilibrados façam o que quiserem e tirem do caminho todos os seus desafetos, se possível matando, usando "causas nobres" como justificativa e escudo de proteção.

Num mundo onde as convicções pessoais substituíram a capacidade de compreensão do mundo real, cada um se acha mais sabido que os outros. E é aí que mora o perigo, que é imenso e merece atenção.

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