Páscoa, ilusão para todos os lados

Eu não comemoro a Páscoa. E acho que ninguém deveria comemorar. Mas quem sou eu para impedir a ilusão alheia? Se eu digo que é errado se iludir, vem uns milhares, reforçados pela mídia oficial, dizer que é certo sim, se iludir. Que se iludam, então.

E não pense que a ilusão se limita aos ovos de Páscoa. Toda a Páscoa é uma ilusão. Celebrar a morte de alguém todos os anos é normal, mas não como acontece na Páscoa. O episódio da chamada "Paixão de Cristo" é em si uma lenda, algo que nunca foi comprovado mas é passado de geração a geração como se fosse um fato histórico. É uma mitologia. Seria legal se ela ficasse limitada a ficção, mas para a grande maioria, é um fato e muitos conduzem sua vida real com base nela.

Dá para sermos altruístas e mais responsáveis sem o mito da Páscoa. A bondade não depende de crenças ilusórias. A bondade deveria nascer da consciência de que vivemos em grupo e que por isso temos todos o direito à felicidade e ao bem estar.

Mas ainda precisamos dos "exemplos" da ficção religiosa para - tentarmos - aprender a ser altruístas. A religiosidade acaba se tornando um mal necessário, que nos ilude, nos engana, mas nos faz mais altruístas e mais felizes. 

Até mesmo a ideia absurda de que Jesus "morreu para nos salvar", que não faz nenhum sentido, soa confortável para muta gente. É um osso a não ser largado. Mas mesmo que Jesus tenha existido (apesar de eu ser ateu, acredito na existência de Jesus. O homem, não a divindade, pois a complexa sabedoria divulgada pelo nazareno nunca poderia ter sido inventada), ele não queria salva ninguém, agindo muito mais como professor do que como uma espécie de mágico curandeiro.

Ou seja, aprendemos muito mais com  que Jesus disse do que com o que Jesus fez. Mágicas e atos sobrenaturais parecem lindos aos olhos de uma humanidade claramente infantilizada como a nossa. Mas as verdadeiras lições de Jesus estão em suas sábias declarações, que insistimos em nunca por em prática. Isso tudo apesar do doente fanatismo que nos faz preferir o Jesus mítico em detrimento do Jesus real.

Não precisamos de Páscoa. Poderíamos lembrar das lições de Jesus o ano todo, todos os dias. Mas não queremos. Cultuar um mito nos parece mais conveniente. Fingir de bondosos só porque cultuamos um mito construído seja ou na baseado em alguém real é muito mais fácil. Além de forjarmos o altruísmo distribuindo ovos de Páscoa para pessoas engordarem com um chocolate que a cada ano é mais caro e menos gostoso.

Não vou cultuar a Páscoa. Não vou desejar "Feliz Páscoa" a ninguém. Sejam felizes com ou sem a Páscoa, mas entendem: a ilusão é desnecessária. Acreditar na lenda da salvação da humanidade pela morte de uma divindade que vem seguida da ressurreição da mesma é tão real quanto acreditar que coelhos põem ovos, ainda mais de chocolate, onde de dentro, ao invés de sair coelhinhos, saem brinquedos e brindes.

Nada disso é real. A Páscoa não é real. Enriquece culturas, diverte e nos ensina a ser bondosos. Mas é ficção, nunca deveria interferir na realidade e deveríamos nos ocupar de alguma coisa mais importante, que faça realmente a sociedade melhorar. acreditamos há milênios em mitos religiosos e ainda não conseguimos melhorar a humanidade, preservando problemas e preconceitos.

Dá para agora pensarmos em outra solução, fora da religiosidade, para melhorar o caráter dos homens?

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