Aluno ateu acaba com pai-nosso na escola

OBS: Por conterem dogmas que não passam de lendas sem confirmação real, muitas até claramente fictícias, as religiões só fazem sentido nos momentos em que se desliga da realidade, como relaxamento ou como expressão cultural. Mas esse limite deve ser respeitado, pois quando a religião interfere na realidade é extremamente nociva.

Além disso, não acreditar em Deus também é uma crença que deve ser respeitada. Os ateus não são pessoas más nem anarquizadas. São pessoas que não aceitam o Deus fictício das religiões, feito a imagem e semelhança dos homens (inclusive com muitos defeitos humanos), ainda esperando uma forma coerente e racional de provar a existência de um Deus real e lógico.

Aliás, sempre fui contra a inclusão de religião no currículo escolar. Se há uma coisa que não combina com educação é religião. Atéporque educar é desenvolver o intelecto e as religiões fazem justamente o contrário, com suas contradições, seus absurdos e suas divindades de contos de fada.

Aluno ateu acaba com pai-nosso na escola

Paulo Lopes - Na Revista Forum 

O caso ocorreu no início de abril, mas é ilustrativo: após se recusar a rezar antes de aula, o estudante Ciel Vieira ouviu da professora que “jovem que não tem Deus no coração nunca vai ser nada na vida”.

No início deste mês, o estudante Ciel Vieira, 17 anos, de Miraí (MG), não se conformou com a atitude da professora de geografia Lila Jane de Paula de iniciar a aula com um pai-nosso. Então, ele se manteve em silêncio, o que levou a professora a dizer: “Jovem que não tem Deus no coração nunca vai ser nada na vida”.

Era um recado para ele. Na classe, todos sabem que ele é ateu. A escola se chama Santo Antônio e é do ensino estadual de Minas. Miraí é uma cidade pequena. Tem cerca de 14 mil habitantes e fica a 300 km de Belo Horizonte.

Quando houve outra aula, Ciel disse para a professora que ela estava desrespeitando a Constituição que determina a laicidade do Estado. Lila afirmou não existir nenhuma lei que a impeça de rezar, o que ela faz havia 25 anos e que não ia parar, mesmo se ele levasse um juiz à sala de aula.

Na aula seguinte, Ciel chegou atrasado, quando a oração estava começando, e percebeu ele tinha sido incluído no pai-nosso. Aparentemente com a aquiescência da professora, alguns estudantes substituíram a frase “livrai-nos do mal” por “livrar-nos do Ciel”.

O rapaz gravou o bullying com o seu celular e o reproduziu em um vídeo no Youtube, onde expôs a sua indignação (ver abaixo).

E só então, por causa da repercussão do vídeo, a direção da escola e a inspetoria passaram a cuidar do caso, mas para dar um jeitinho, de modo que a professora pudesse continuar a rezar o pai-nosso sem a presença de Ciel.

Contudo, a secretaria de Estado da Educação, ao ser procurada pela Folha de S.Paulo, informou que a professora Lila tinha sido orientada a parar de rezar. Não se tem a versão da professora porque ela não quis falar com a imprensa. Lila é católica.

O estudante gravou um segundo vídeo para contar o desfecho do imbróglio e agradecer o apoio da Atea (Associação Brasileira dos Ateus e Agnósticos), de familiares e dos parentes.

Ao jornal, a mãe de Ciel comentou: “Até chorei quando vi o vídeo [o primeiro] dele. Meu filho sempre foi um aluno ético”.

Ela é espírita*.

 



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* NOTA: entenda-se "espírita" no contexto brasileiro, não o de Kardec, mas o de Chico Xavier.

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