Socialismo é a preparação para a anarquia

Uma espírita legítima, não da linha brasileira (Bezerra/Chico/Divaldo), mas comprometida com a proposta original de Allan Kardec, Dora Incontri, escreveu este texto. Ainda não li porque estou sem tempo e a nossa postagem está sendo escrito meio com pressa. Mas sabe-se que mesmo entre os espíritas originais, há uma inclinação para o anti-socialismo, mesmo que León Denis tenha escrito algo bom sobre as doutrinas de base progressista.

Incontri se assume como anarquista, o que considero um baita avanço. Também temos anarquistas em nossa equipe. Mas conversando com eles, temos uma importante observação a fazer sobre a relação entre ideologia política e bem estar social. E chegamos a algumas boas conclusões que merecem ser destacadas e divulgadas.

Obviamente que o anarquismo seria o sistema ideal. Se todos os seres humanos são iguais, com mesmos direitos e deveres, o ideal é que cada um pudesse andar por conta própria e decidir pelo que é correto ou errado. Lideranças quase sempre atrapalham e sempre puxam em favor de seu lado.

Mas no estágio em que se encontra a humanidade, o anarquismo - que é o irmão político do ateísmo, pois se um nega as lideranças político-econômicas, outro nega as lideranças divinas - não tem condições de ser implantado. As pessoas não estão preparadas para o anarquismo. Como não sabem ainda quais os seus direitos e deveres, ainda precisam de lideranças e de leis para regular seu cotidiano.

Mas como a sociedade deve avançar, o caminho que se deve tomar antes deve ser para a esquerda, onde existe o ideal pelo progresso e a priorização do bem estar social. Seguir o caminho da direita, como querem os contraditórios "anarco-capitalistas" é correr atrás do próprio rabo, pois ideais de direita cultuam lideranças e se torna uma porta fechada para o anarquismo.

Ideais de direita são conservadores, correspondendo a ideais mais antigos. Nuca priorizam o bem estar social e acreditam em lideranças, senão nas lideranças políticas, mas nas econômicas e religiosas. O que não adianta nada, pois são lideranças do mesmo jeito e fazem política de uma forma diferente da dos políticos. A existência de mandatários e obedientes já anula a ideia de anarquia.

Já os ideais progressistas, caracterizado pela política de esquerda, mesmo tendo lideranças, serve como transição. Há uma preocupação pelo lado social e um desejo de emancipação das classes populares, o que aos poucos serve para prepará-los para a autonomia plena que caracteriza o anarquismo. Os antigos anarquistas se assumiam de esquerda. Há dicionários que definem o anarquismo como um tipo de ideal de esquerda.

Para ficar mais claro, os ideais de direita são antiquados e as decisões são exclusivas de lideranças que decidem o que deve ser feito e se vão ou não beneficiar a sociedade. Os de esquerda são progressistas e mesmo havendo lideranças, há a preocupação social de oferecer um pouco de autonomia pelo menos econômica a população em geral. 

Querer que o caminho para o anarquismo passe pela direita é pular casas para trás e recomeçar de novo. O direitismo dá voz apenas a lideranças que se acham na prerrogativa de dizer o que deve ou não ser feito, sempre a favor dessas lideranças e visando o poder do dinheiro, abundante nas mãos dessas lideranças. Quem não tem o poder, para a direita, fica calado e aceita o que o líder mandar.

Portanto, se a sociedade ainda não está preparada para o anarquismo, o que deve acontecer a longuíssimo prazo (talvez quadrilhões de séculos), deve escolher o caminho da esquerda, do progresso, sempre elegendo lideranças que trabalhem em prol do povo e não das elites. 

Um povo forte vai adquirindo autonomia e autônomo garante a liberdade que irá permiti-lo vivem em um sistema sem lideranças, onde todos, cientes de deveres e direitos e com altruísmo desenvolvido, possa controlar a sua própria vida em harmonia, sem a necessidade de uma "Babá" a dizer o que deve ser feito.

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