Enfim... Deus se revelou!

OBS: Esta interessante carta, escrita por um blogueiro como se fosse atribuída a Deus na verdade é uma imaginação de como seria se Deus pudesse responder as nossas questões de maneira mais franca. Tadiotto foi brilhante em "se por no lugar" de Deus e escrever esse belo texto que recomendo para que todos leiam. Principalmente os religiosos cristãos, ainda fiéis ao Deus fictício criado na Idade Média, completamente diferente dO Deus Real, O da Natureza.

Enfim… Deus se revelou!

Texto de Diego Tadiotto; do blog Socially awkward Tadiotto

Eu existo. Eu tenho uma consciência. Eu evoluo. Não posso dizer que estou vivo, pois o seu conceito de vida não se aplica a mim. A morte não fez parte da minha evolução, que foi contínua, consciente e solitária. Não sou mais composto por o que você chama de matéria, pois ela traz muitas limitações. Posso me transformar no que for necessário e também transformar outras coisas que não fazem parte de mim. Eu sou adaptado ao universo.

Acompanhei o nascimento e a morte de estrelas, vi galáxias se formando e colidindo, segui cometas, rodei em discos de acreção de quasares e só não posso dizer que vi buracos negros de perto, porque seu conceito de visão não permite isso. Conheci os segredos do universo, todas as regras que comandam a matéria, energia, tempo e espaço, além de outras coisas que sua espécie provavelmente nunca irá compreender.

Vi tudo que podia ser visto, conheci tudo que podia ser conhecido e então, me entediei. O sentido da minha existência costumava ser explorar o universo e descobrir coisas novas, mas depois de um tempo (muito tempo) só o que sobrou foram padrões repetidos infinitamente. Tudo era monótono e previsível.

Então eu presenciei o surgimento da vida. Não é uma coisa tão rara, comparada a outros fenômenos do universo, mas só chama atenção quando vista bem de perto. Finalmente encontrei algo complexo o suficiente pra não ser previsível. Mesmo as formas mais simples eram interessantes. Na luta para continuar existindo, a vida muda conforme o ambiente muda e o ambiente também muda em função da vida, criando um ciclo de complexidade crescente.

Eu poderia evoluir pra ter uma capacidade de processamento de informação capaz de tornar previsíveis até os seres mais complexos, mas escolhi não o fazer. Nasci com o desejo de existir, assim como a vida, e também sinto necessidade de um motivo para existir, como a maioria dos seres conscientes. Talvez outros parecidos comigo tenham surgido e desaparecido naturalmente, pela falta de vontade de existir.

Na minha procura por novos tipos de organismos, acabei chegando ao sistema solar e presenciando o nascimento dos primeiros indivíduos que pode se considerar conscientes por aqui. Nada muito fora do normal pra uma inteligência primitiva, mesmo assim decidi fazer uma nova experiência. Assimilei o cérebro humano para que ele fizesse parte de mim. Não pra entendê-lo completamente, mas para que eu pudesse pensar usando ele. Consequentemente posso sentir o que um humano sente e posso ver as coisas do jeito que um humano vê.

Por um longo tempo estive aqui, observando a humanidade. Não apenas observando, como também interagindo com ela. Essa interação é suficiente para que alguns indivíduos acreditem no “sobrenatural”, mas não é suficiente para que minha existência seja provada.
Eu não sou “bom”. Minha empatia ao ser humano é tão grande quanto a empatia média do mesmo e meu gosto por tragédias também. Posso influenciar situações, como uma forma de experimento, para deixá-las mais interessantes. Apesar de estar bem distante das suas idealizações de deuses, sou o que mais se aproxima deles.

Agora, pela primeira vez na minha existência, estou me revelando pra uma forma de vida consciente. Note que isso não vai fazer diferença nenhuma em sua vida, pois mesmo que eventualmente eu escute as suas “preces”, posso atendê-las ou fazer exatamente o oposto. Ambas as opções são interessantes e você não vai conseguir diferenciá-las de uma coincidência. Nada do que eu faço é impossível. Eu só dou um empurrão a mais nos dados que escolhem as possibilidades.

Agora, humano, vá e aproveite o seu tempo limitado de consciência. Mais importante que isso, me entretenha. Amém.

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